Associação Desportiva e Cultural Grupo Cativeiro de Capoeira - Porto Alegre RS

Blog destinado a promover e divulgar o Grupo Cativeiro de Capoeira em Porto Alegre-RS.


Nele você encontra os eventos de capoeira promovidos pelo
Grupo Cativeiro, bem como informações sobre a capoeira em Porto Alegre e no mundo todo.

Bem Vindos!!

AULAS

Mestre Betinho
Rua Timbaúva, 21. Bairro Jardim Protásio Alves
3ªs e 5ªs feiras - 17h as 22h

Professor Rafael Tassinari
3ªs e 5ªs - 19h as 21h - Local: Clube de mães Casa Branca, Morro Santana.


BERIMBAUS E ACESSÓRIOS À VENDA - PRONTA ENTREGA!!

Rafael (51) 9152-0496

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 8

Washington Bruno da Silva, nascido em 25 de setembro de 1925 no Maciel de Baixo, Salvador-BA, filho de D. Amália Maria da Conceição, vindo a falecer em 8 de novembro de 1994. Iniciou capoeira aos 10 anos com Mestre Raimundo Aberrê, "No banheiro do finado Otaviano" (um banheiro público). Filho de lavadeira, Mestre Canjiquinha foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo. Dentre outras atividades foi também jogador de futebol (goleiro) do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de boleros nas noites soteropolitanas. Ganhou esse apelido por gostar de uma música de Carmen Miranda, o samba “Canjiquinha quente”. Aprendeu Maculelê em Santo Amaro com mestre Popó. Foi contra-mestre na Academia de Mestre Pastinha.



Canhoto, exímio tocador de berimbau, criou os toques de Samango, Muzenza e Samba de Angola. Cantava como poucos. Tinha um repertório vastíssimo e grande capacidade de improvisar.

Foi um visionário da capoeira, dizia sempre aos seus alunos" A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo".
Canjiquinha na sua ascensão, mesmo não tendo sido aluno do Mestre Pastinha foi Contra Mestre na academia deste. Ao sair fundou, já como Mestre, a sua própria academia. ASS. De capoeira Canjiquinha e seus amigos, fundada em 22/05/52, por onde passaram grandes capoeiras, alguns dos quais hoje renomados Mestres: Manoel Pé de Bode, Antonio Diabo, Foca, Roberto Grande, Roberto Veneno, Roberto Macaco, Burro Inchado, Cristo Seco, Garrafão, Sibe, Alberto, Paulo Dedinho (conhecido hoje como Paulo dos Anjos), Madame Geni (conhecido hoje como Geni Capoeira), Olhando Pra Lua (conhecido hoje como Lua Rasta), Brasília, Sapo, Peixinho Mine-saia, Papagaio, Satubinha, Vitos Careca, Cabeleira, Língua de Teiú, Urso, Bola de Sal, Boemia Tropical, Salta Moita, Melhoral, Lucidío, Bico de Bule, Bando, Dodô, Salomé, Mercedes, Palio, Cigana, Urubu de Botina, entre outros.
Canjiquinha na sua academia jamais formou alunos, seguia a seguinte graduação: Aluno, Profissional, Contra Mestre, Mestre.


Foi um dos pioneiros em shows folclóricos, muito requisitado por órgãos culturais por ser grande conhecedor do folclore, compositor e cantador de capoeira.


Atuou em filmes como: “Capitães de Areia”, “Barravento”, “Senhor dos Navegantes”, “Terra em Transe” e “O Pagador de Promessas”.


O maior orgulho de sua vida era ser mestre e em suas mãos terem passado muitos que se tornaram grandes mestres: Paulo dos Anjos, Brasília, Geni, Antônio Diabo, Lua Rasta, entre outros.

Fonte: http://www.atelierlua.com.br/ e http://capoeira.wikia.com/

terça-feira, 27 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 7


Mestre Gato



José Gabriel Góes nasceu em Santo Amaro da Purificação, a 19 de março de 1929. Começou na Capoeira aos oito anos de idade, e nunca se formou em Capoeira, por convicção. "A capoeira nunca pára", diz ele. Sempre foi um excelente capoeira, dono de agilidade incomum. Conviveu com grandes expoentes da Capoeira. Desde 1966, quando integrou a delegação brasileira no Premier Festival International des Arts Nègres, em Dakar (Senegal), tornou-se um embaixador itinerante da Capoeira, tendo visitado muitos países e transmitido seus conhecimentos. Foi consagrado em algumas obras de Jorge Amado. Um dos mais requisitados tocadores de berimbau de toda a Bahia, Mestre Gato Preto é uma das figuras mais queridas no universo da Capoeira, graças à grandeza de seu caráter.


A sua academia, fundada em 1962, adquiriu grande importância. Mestre Gato singularizou-se nesta época ensinando capoeira para as mulheres e notadamente às alunas da aula de Balê da l'Universidade. Podem escuta-lo em CD gravado en 2000, Mestre Gato Preto, L'art du berimbau.

Como não achei muita coisa do mestre, vou postar aqui algumas passagens de uma entrevista concedida pelo mestre à Revista Capoeira N°04, ano II. Páginas 08 a 11.
Confiram:

Como e quando foi seu encontro com a capoeira?


Comecei, aos oito anos, com meu pai, Eutíquio Lúcio Góes. Ele foi meu mestre. Aos doze anos de idade (1941), achavam que eu já não tinha mais nada para aprender. Os treinos eram num quartinho fechado. Ele atacava com uma esgrima (bastão de maculelê) ou facão, para eu me defender. Quando eu errava, ele acertava minha munheca (pulso). Até um dia que dei uma cabeçada forte e ele caiu. Quando se levantou, saiu correndo atrás de mim, ameaçando me cortar, e gritando: "Vem cá, moleque"! Aí parou de me ensinar. Depois veio meu tio, João Catarino, aluno de Besouro, até que ele morreu de derrame, que a turma chamava de congestão. Passado esse período, veio Leo, Cobrinha Verde, mestre Waldemar e mestre Pastinha e também Gildo, Roberto e João Grande, que tocava berimbau e foi muito importante como capoeirista, na época. Na roda, João Pequeno, Moreno, Albertino, Valdomiro e eu fazíamos a bateria.

E seu contato com os mestres da época?

Havia, na Bahia, muitos mestres que jogavam bem, como Canjiquinha, Zéis, Vandir, Agulhão, Zacarias, Bom Cabelo. Outros, que não eram mestres, mas também jogavam muito bem, como Deodato e Bigodinho.
Todos da Liberdade (bairro da Liberdade, em Salvador), de mestre Waldemar, eram bons, bons, muito bons! Tinha um encanador, que morreu com 28 anos, que foi um grande angoleiro!

Naquela época, quais eram, a seu ver, os capoeiristas de maior destaque?

Na minha avaliação, João grande, no jogo-de-dentro. Na base do sapateado, foi o cabra Gilberto que se cuidou muito e hoje está bem velhinho.

Como era a instrumentação da Capoeira?

Três berimbaus (um gunga, um berra-boi e um viola), dois bodes (pandeiro), um ganzá de bambu (não o ganzá de metal) e um reco-reco. O primeiro berimbau fazia a angola; o segundo, o são bento grande e o
terceiro, a angolinha. Era esta a bateria, acompanhada do canto.

Qual era o perfil do capoeirista naquele tempo?


O capoeirista era um trabalhador: um condutor, que tirava a cana; um estivador do cais do porto; um pedreiro; um carpinteiro; um eletricista; caixeiro-viajante; um marinheiro, enfim, era sempre um trabalhador que, independente da função profissional, jogava por amor, por lazer, um tipo de terapia. O capoeirista fazia aquilo por ser uma dança, que fazia ele se sentir bem e conseguir o que queria, através da concentração.


Não rolava dinheiro? Ninguém vivia da capoeira?

O dinheiro veio depois, com brincadeiras feitas na roda. Alguém pedia para o capoeirista pegar com a boca uma nota de dinheiro, colocada no chão, no meio da roda, em cima de um lenço vermelho.
Os dois parceiros saíam jogando até que um fosse imobilizado com um golpe de pé – não com a mão – e o outro pegasse a cédula. Era preciso deixar o adversário imóvel para não correr o risco de receber um chute no rosto. Depois de tudo, se abraçavam e o dinheiro era colocado na cabaça do berimbau, para pagar a rodada de cerveja, refrigerante ou pinga, depois da roda. Só aí entrava o dinheiro.

Nem os mestres tinham a capoeira como profissão?

Ninguém tinha. Todos eles eram operários, tinham sua profissão. Pastinha era tarefeiro, depois foi tomar conta de jogo; Daniel Noronha trabalhava na estiva; Canjiquinha e Caiçara, na Prefeitura;
Paulo dos Anjos, como motorista; mestre Ferreira e eu, como armador. Ninguém vivia da capoeira. Eu vivi nela durante 40 anos sem ganhar um tostão! Mas naquela época, se aprendia muito. Um grupo da Liberdade era levado para me visitar em Itapuan e um grupo jogava com o outro. O que tomasse uma rasteira e caísse de bunda no chão, perdia o jogo. Também não se podia sujar a roupa do adversário. Era falta de educação. Os mestres ficavam abraçados, conversando. Brincávamos a tarde toda!

E a capoeira atual?

O negócio evoluiu. Evoluir é muito bom, mas é preciso ter uma raiz, um início para a coisa não andar para um lado contrário, pois esta arte é rica demais! A capoeira é sua vida, minha e de muitos outros.
Não se tem como controlar isso. Daí, é preciso ter um domínio de educação para que ela não perca essa coisa linda que possui.
O que um capoeirista precisa para se tornar mestre?

Para começar não existe formatura em capoeira. Um ponto final, porque a capoeira não tem fim. Onde quer que você vá, irá vê-la. O mesmo vai acontecer com seu filho, seu neto, ou bisneto: onde quer que eles forem, irão vê-la. Ela é universal, ela anda, é dinâmica, não tem formatura como o médico que aprende tudo, se forma e vai cuidar da profissão.
O doutor da capoeira é a sabedoria. Para conseguir tem que prolongar a vivência na arte. Como? Dando um cordão ao menino e deixar ele treinar durante quatro anos, para se preparar e para se acostumar com a realidade. Para conseguir a sabedoria. Com dez anos, ele pode ser contra-mestre, através de pesquisas e estudos. Então, aos vinte anos de experiência ele pode ou não ter condições de ser mestre. Tudo depende da sabedoria e sabedoria nada tem a ver com a idade. Daí pode vir o título, dado pelos mestres, de "passou a estar pronto". Não significa estar formado, pois o trabalho e o aprendizado continuam. A capoeira não pára, não morre. A capoeira temos 180 golpes e 180 contragolpes. Não se aprende dez ou doze golpes, falar que conhece seis golpes da regional, outros da angola e já sai dizendo que é capoeirista. È preciso conhecer, descobrir e confrontar todos os golpes. Muitos não querem discutir ou aprender toda a capoeira. É aí que se acabam, porque não vão passar do mínimo que já sabem. Quem leva a pior nisto tudo é a própria capoeira, porque esse pessoal termina perdendo o talento que possui e afastam a capoeira da realidade dela.

O Sr. Se referiu a um tempo em que todos eram amigos, havia união. Hoje há muita rivalidade. O capoeirista forte e grande entra na roda disposto a destruir o outro. Que acha disso?


Naqueles tempos, os mestres se respeitavam entre si e incentivavam a consideração por parte dos alunos. O cara podia ser grandão, como Agulhão, que media dois metros de altura, ou forte como mestre Waldemar, Traíra, Zacarias, Davi ou Dada – que na época, davam o maior show de capoeira – mas havia um controle, um respeito. Quem tomava uma cabeçada, caía e se levantava para dar as mãos ao parceiro, sem agressividade ou rancor.
Hoje eu vejo que há muita gente ensinando a bater, querendo ser o melhor e enchendo a cabeça dos coitados, que não tem informação, de que isto é importante. São pessoas que só vêem o lado da destruição. Os mestres tornam-se culpados pelas conseqüências e a capoeira fica numa posição em que não pode mostrar seu potencial.

Isso também acontecia entre os mestres antigos?


Não. Os únicos mestres que discutiam em Salvador, naquela época, eram Canjiquinha e Caiçara, mas tudo encenação, nas apresentações para turistas. Abusavam dos risos e das tapeações. Os dois morreram de bem um com o outro.
Bimba tinha academia no Maciel de Cima e Pastinha, no Largo do Pelourinho. Bem próximos. Não se visitavam, mas também não falavam mal da academia do outro. Tenho comigo reportagens de jornal de 1984 sobre João Pequeno e João Grande, em Itapuan. Precisa ver como eles se gostavam e se respeitavam! Caiçara e Canjiquinha foram meus amigos até o fim de suas vidas.
Alunos de Bimba mantém amizade comigo há 45 anos. Não tenho inimigos na capoeira e se tiver não serão contra mim, mas contra a arte. Não faço nada contra eles. Uns se destroem por si, outros se reeducam e aparecem sem entrar nessa de traição.
Mais recente, conheci alunos que chegam a querer bater em seus mestres, alegando que nada aprenderam. Sabe o que é isso? Falta de educação. O capoeirista tem que se educar, para respeitar e ser respeitado.

Fonte: http://blogs.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendId=388527536&blogId=405066740

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 6


Camafeu de Oxossi

Solista de berimbau, cantor. Ápio Patrocínio da Conceição, andarilho do Pelourinho, é um homem de sorte. Tanto no jogo, quanto no amor, daí o nome Camafeu. Ele nasceu no dia 04 de outubro de 1915, no bairro do Gravatá, em Salvador, e se criou no Pelourinho. Filho de Faustino José do Patrocínio e Maria Firmina da Conceição. Seu pai era mestre-pedreiro, descendente de africano. Conviveu com ele até os sete anos. Sua mãe veio de Camamu, era negociante de tabuleiro. Negociava frutas, doces, acarajé, tudo na Baixa dos Sapateiros. Sua mãe teve 16 filhos. Ele, Raimundo e João, cada um de um pai. Como ficou órfão de pai aos sete anos, seu padrasto dava mais atenção ao Raimundo. Não suportando aquilo, resolveu sair de casa. De menino de rua que passou fome e perdeu toda a família, estudou na Escola de Aprendiz de Artífice, trabalhando na fundição, vendeu cordão de sapato (cadarço) na porta do Elevador Lacerda. Dali passou para o passeio do Mercado Modelo como engraxate, além de vender os jornais de modinha nas feiras de Água de Meninos, Dois de Julho e Sete Portas. Saiu de lá para ser marítimo e foi parar na Estiva - Companhia Docas da Bahia até se tornar proprietário da famosa barraca de São Jorge, no velho Mercado Modelo, e de um restaurante de fama internacional.


A música entrou em sua vida desde garoto. Foi criado na roda de samba, tocando berimbau, ensinando aos turistas como tocar o instrumento. Era um homem de muitas palavras, casos e lendas para contar. Chegou a ser diretor das escolas de samba Só Falta Você, Deixa Pra Lá, Gato Preto, onde aproveitava para cantar seus sambas. No Mercado Modelo ele começou a cantar música de capoeira e ijexá, tocando berimbau e atraindo a clientela. A partir daí começou a fazer sucesso. Na sua Barraca São Jorge, aberto em riso, cercado de objetos rituais de obis e orobôs, ele ensinava os mistérios da Bahia. Na década de 60, a Universidade Federal da Bahia criou o curso de língua ioruba e Camafeu foi um dos primeiros alunos. Foi convidado para ir à África, representando a Bahia no Primeiro Festival de Arte Negra do Senegal, junto com Pastinha e outras pessoas. Lá ele cantou em iorubá para Oxum e para Oxómi. Sobrinho de Mãe Aninha e filho-de-santo de Mãe Senhora, o obá de Xangó do terreiro Axé Opô Afonjá esbanjou alegria. Figura baiana conhecida em todo o Brasil, personagens de muitos livros de Jorge Amado (Tereza Batista, Dona Flor, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, entre outros) de quem era amigo particular. Seu nome está presente em dezenas de músicas: aquela que diz “Camafeu, cadê Maria de São Pedro”, gravada por Martinho da Vila, outra gravada por Maria Alcina e também o conjunto Os Originais do Samba gravou um samba em sua homenagem.

Tocador de berimbau, batuqueiro, ex-presidente dos Filhos de Gandhi, Camafeu de Oxossi gravou dois discos, um deles Berimbau da Bahia com os cantos de capoeira mais belos, alguns velhos do tempo da escravidão ou da Guerra do Paraguai: “Volta do mundo, ê!/volta do mungo, ah!/ Eu estava lá em casa/sem pensá, sem maginá/e viero me buscá/para ajudar a vencê/a guerra do Paraguá/camarado ê/camaradinho/camarado...”. Esses cantos estão cheios de lembranças da vida dos escravos: “No tempo em que eu tinha dinheiro, camarado ê, comia na mesa com ioiô, deitava na cama com iaiá... Depois que dinheiro acabou, mulher que chega prá lá, camarado. camaradinho ê....”. Contam da guerra, da escravidão, das lutas dos negros. Outros são improvisados no repente da brincadeira e, repetidos, permanecem e se tornam clássicos: “Bahia, minha Bahia,/Bahia do Salvador,/Quem não conhece capoeira/Não lhe pode dar valor//Todos podem aprender/General e até doutor”. Com o tempo, a voz rouca não cantava mais, porém se emprestava a histórias e nomes com quem conviveu numa cidade que não existe mais.



“No mercado, em meio a seus orixás, aos colares e às figas, queimando o incenso purificador, rindo sua gargalhada, saudando São Jorge. Oxóssi, rei de Ketu, o grande caçador. Camafeu comanda a música, o canto e a dança. Um baiano dos mais autênticos, um dos guardiães da cultura popular. Homem que possui o saber do povo, um desses que preservam o passado e constróem o futuro”, segundo Jorge Amado no livro Bahia de Todos os Santos. E diz mais: “Compositor, mestre solista de berimbau, obá de Xangô, Osi Obá Aresá, filho de Oxóssi, preferido de Senhora, amigo de Menininha e de Olga de Alaketu, o riso cortando o rosto, dono da amizade. Em sua barraca, em prosa sem compromisso, numa conversa largada como só na Bahia ainda existe, sem horário e sem obrigações temáticas, podem ser vistos o pescador, a filha-de-santo, o pintor Carybé, o passista de afoxé, o Governador do Estado, o compositor Caymmi, a turista loira e esnobe, a mulata mais sestrosa e Pierre Verger, carregado de saber e de mistério. A barraca de Camafeu é ponto de reunião, é mesa de debates, é conservatório de música. Na cidade do Salvador a cultura nasce, se forma e se afirma em bem estranhos lugares, como por exemplo, uma barraca do mercado (...) lá se vai Camafeu pelos caminhos da Bahia, invencível com seu santo guerreiro. Vir à Bahia e não ver Camafeu é perder o melhor da viagem. Ele é um obá, um chefe, um mestre”.

Um ritual religioso marcou no dia 27 de março de 1994 o sepultamento de uma das figuras mais conhecidas da Bahia: Apio Patrocínio da Silva, o Camafeu de Oxossi. O enterro foi no Cemitério da Ordem Terceira do São Francisco, e contou com a presença de vários amigos e admiradores daquele que era uma das maiores autoridades do culto afro-brasileiro na Bahia. Camafeu ficou conhecido não só como proprietário de um dos mais famosos restaurantes de comidas típicas da Bahia, localizado no Mercado Modelo, como também pelo posto Obá de Xangô, que ocupava no Terreiro Ilê Axe Opô Afonjá. Era querido pelas principais mães-de-santo da Bahia e amigo de Dorival Caymmi, Jorge Amado e Gilberto Gil. Doente há muito tempo, Camafeu foi vencido por um câncer na garganta e faleceu no Hospital Aristides Maltez, aos 78 anos.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 5


Traíra



João Ramos do Nascimento (Cachoeira BA ? -- Salvador c. 1970). Célebre capoeirista do bairro de Liberdade, cujo nome vem associado ao de Mestre Waldemar da Paixão. Como o seu camarada, Traíra manteve-se muito discreto sobre a sua vida. Podem vê-lo no filme Vadiação de Alexandre Robatto (1954), tocando berimbau e fazendo demostrações de movimentos em frente à câmara.

Mais ou menos nessa época, o ator Roberto Batalin grava a capoeira de mestre Traíra, com a participação de Gato, já conhecido como tocador de berimbau, e a visita du célebre mestre Cobrinha Verde. Com o auxílio de vários artistas famosos, Augusto Rodrigues, Carybé, Salomão Scliar, Marcel Gautherot, José Medeiros, e de Dias Gomes, quem escreve um texto introdutivo, Roberto Batalin edita as suas gravações em disco LP, com álbum de 16 páginas de textos e fotos, na casa Xauã, no Rio de Janeiro, que lança assim o seu segundo disco de folclore brasileiro.




Seja porque a primeira edição tivesse sido muito limitada, ou porque depois do golpe militar de 1 de Abril 1964, o nome de Dias Gomes, demitido do seu posto na Rádio Nacional e cujas peças estão interditadas, não prestava mais para vender discos, uma segunda capa, muito mais simples, foi logo realizada. Na mesma época, a J.S. Discos lança o Curso de Capoeira Regional de Mestre Bimba; portanto ficou útil precisar, Capoeira da Bahia -- Mestre Traíra. Esta segunda edição, ou segunda apresentação, ficou, afinal, mais conhecida do que a primeira.


Sobre a beleza e periculosidade do seu jogo, assim se referiu Jorge Amado: “Traíra, um cabloco seco e de pouco falar, feito de músculos, grande mestre de capoeira. Vê-lo brincar é um verdadeiro prazer estético. Parece bailarino e só mesmo Pastinha pode competir com ele na beleza dos movimentos, na agilidade, na rigidez dos golpes. Quando Traíra não se encontrana Escola de Waldemar, está ali por perto, na Escola de Sete Molas, também na Liberdade”.

Fontes: http://www.capoeira-palmares.fr/
http://esquiva.wordpress.com/

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 4

Dando prosseguimento a nossa série sobre mestres antigos de capoeira, hoje postaremos sobre o Mestre que foi aluno de Besouro, Cordão de Ouro, seu primo Mestre Cobrinha Verde!

Cobrinha Verde



Rafael Alves França (Santo Amaro, BA c. 1910 -- Salvador, 1983). Um dos mestres de capoeira mais conhecidos dos anos 1950 e 1960. Tinha aprendido a capoeira com o seu primo, o célebre Besouro Mangangá (morto em 1927). Além de seu primeiro mestre, Cobrinha Verde também bebeu da sabedoria de Maitá, Licurí, Joité, Dendê, Gasolina, Siri de Mangue, Doze Homens, Espiridião, Juvêncio Grosso, Espinho Remoso, Neco, Canário Pardo e Tonha. Foi 3° Sargento no antigo Quartel do CR em Campo Grande, tendo participado também da Revolução de 32 entre outras pelejas. Obrigado a deixar Santo Amaro, foi jagunço, soldado regular, pedreiro, curandeiro, tocador de viola-de-samba. A sua capoeira ele colocou primeiro na Curva Grande; depois a expansão urbana o empurrou para o subúrbio de Nordeste de Amaralina, onde abriu a sua Academia Dois-de-Julho. No últimos anos da sua vida, afirmou ter cumprido a promessa feita ao seu mestre e primo de nunca ganhar dinheiro com capoeira.



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 1



Bom, como estou tentando seguir uma ordem cronológica de postagem, conforme a época dos mestres, peço desculpas pela falha em não ter feito essa como primeira postagem. Apesar disso, intuitivamente, não inserí anteriormente a postagem número um dessa série, que acredito, estará justificada com a postagem de hoje... Boa Leitura!!


Zumbi (Alagoas, 1655 — Viçosa, 20 de novembro de 1695) foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares.



O Quilombo dos Palmares (localizado na atual região de União dos Palmares, Alagoas) era uma comunidade auto-sustentável, um reino (ou república na visão de alguns) formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Ele ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal e situava-se onde era o interior da Bahia, hoje estado de Alagoas. Naquele momento sua população alcançava por volta de trinta mil pessoas.


Zumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.


Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.


Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.


Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."


Zumbi é hoje, para determinados segmentos da população brasileira, um símbolo de resistência. Em 1995, a data de sua morte foi adotada como o dia da Consciência Negra. É também um dos nomes mais importantes da Capoeira

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zumbi_dos_Palmares

Além desses dados da postagem, sugiro assitirem ao filme "Quilombo" de Cacá Diegues. É um clássico do cinema brasileiro e conta a história do Quilombo dos Palmares, obviamente, e de Zumbi. Eu tenho o filme em formato RMVB, caso alguém queira fazer trocas, só mandar um email ou deixar contato nos comentários.

Abraço e até amanhã com mais mestres antigos.


 

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SÉRIE MESTRES DA CAPOEIRA 3


MANOEL ENRIQUE PEREIRA, BESOURO

Data de Nascimento: 1895.
Filiação: João Grosso e Maria Haifa Pereira
Local de Nascimento: Salvador, Bahia.
Origem capoeirística: Tio Alípio (escravo, ensinou a capoeira a outros grandes capoeiras da Bahia).
Data de Falecimento: 8 de julho de 1924.***

Manoel Henrique Pereira (1895-1924), Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro foi um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia. Muitos e grandiosos feitos lhe são atribuídos. Diziam que não gostava da polícia (que diversas vezes frustou-se ao tentar prendê-lo), que tinha o "corpo fechado" e que balas e punhais não podiam feri-lo.

Conhecido como exímio capoeira e faquista perigoso. A escola de Capoeira de Besouro ficava em Santo Amaro, Salvador, Bahia.
Por volta de 1920 a cidade de Salvador virou um barril de pólvoras, o chefe de polícia Pedrito de Azevedo Gordilho perseguiu não só a Capoeira, mas também o samba e o candoblé.

A corrupção tomava conta da polícia, onde faziam chantagens para garantir a segurança da população, eram despreparados e mal-educados, tratavam mal os cidadãos que buscavam para prestar queixas. Por isso, Besouro não se simpatizava com a Polícia de sua época. Muitas vezes encontrava companheiros que estavam sendo presos e os tomava da mão de qualquer soldado, batia em todos, tomava-lhes as armas, levava-as até o quartel e dizia: - está aqui seus morcegos e jogava as armas.

Um dia ele estava em frente ao Largo da Cruz e passou um soldado, Besouro o forçou a tomar uma cachaça. O soldado saiu dali para o quartel e fez queixa ao tenente, que mandou 10 soldados para prender Besouro, trazer vivo ou morto. Chegando lá deram ordem de prisão, Besouro saiu do botequim de costas, foi para a cruz, encostou nela, abriu os braços e disse que não se entregava. Os soldados começaram a atirar, Besouro fingiu está baleado e caiu, os soldados acharam que ele estava morto e se foram. Besouro então se levantou e saiu cantando: acertaram em nosso senhor...

Certa feita quando Besouro trabalhou numa usina, por não receber o ordenado, segurou o patrão pelo cavanhaque o obrigando a pagar o que lhe devia. Segundo Mestre Cobrinha Verde:

"certa vez, Mestre Besouro estava sem dinheiro e foi procurar um ganha pão. Foi a uma usina e deram-lhe trabalho. Quando foi no dia do pagamento, ele sabia que o patrão tinha o habito de chamar o trabalhador uma vez [...] e na segunda vez dizia: - quebrou para São Caetano! queria dizer, não recebe mais e se o fulano reclamasse era chicoteado, ficava preso no tronco de madeira com o pescoço, os braços e as pernas por um dia e depois era mandado embora. Então, na hora do pagamento o patrão disse a Besouro: - quebrou para São Caetano! Todos receberam o dinheiro, menos Besouro. Nessa ocasião, Besouro invadiu a casa do homem e gritou: - pague o dinheiro de Besouro Cordão de Ouro! Pegou o homem pelo cavanhaque e disse: - Paga ou não paga! O patrão rapidamente mandou pagar, Besouro pegou o dinheiro e foi embora."

No ano de 1924, Besouro empregou-se de vaqueiro na fazenda de um senhor conhecido pelo nome de Doutor Zeca. Este fazendeiro tinha um filho de nome Memeu, que era valentão e muito genioso.

Certo dia Memeu teve uma discussão com Besouro, seu pai temendo por sua vida, mandou Besouro se empregar em uma outra fazenda onde tinha um amigo administrador, pediu que levasse uma carta de recomendação. Após seu filho Memeu apanhar de Besouro, armou uma cilada mandando-o entregar a tal carta a um amigo que administrava a fazenda Maracangalha.

Tal carta pedia para que seu portador fosse morto, que dessem fim nele por lá mesmo. Besouro, analfabeto, não pôde ler que aquela carta era endereçado ao seu assassino e esclarecia que o portador era a vítima.

O administrador lendo a carta disse para Besouro, que esperasse a resposta até o dia seguinte. Para passa a noite na localidade, Besouro aproveitou para ir a um prostíbulo.

Assim no dia seguinte ao voltar para saber a resposta 40 homens estavam esperando Besouro, deram muitos tiros e as balas nada lhe fizeram. Mas um homem conhecido por Eusébio de Quibaca acertou-lhe pelas costas com uma faca de tucum* (ou ticum) - um tipo de madeira dura, com resistencia de ferro e segundo ele tem poderes magicos.

Teria morrido assim, então, o rapaz forte, impetuoso e tão ágil que ganhou o apelido de Besouro porque “voava”, “mangangá” porque era rápido e perigoso como o peixe venenoso que leva esse nome, e “cordão de ouro” porque era tão bom na capoeira que sua graduação, seu “cordão”, não tinha cor nenhuma, como ocorre com os demais capoeiristas: era, simplesmente, “de ouro”.

As circunstâncias de sua morte são contraditórias. Há versões que afirmam que Besouro morreu em um confronto com a polícia; outras, que foi traído, com um ataque de faca pelas costas. Esta última é muito cantada e transmitida oralmente na capoeira. Um fazendeiro, conhecido por Dr. Zeca, após seu filho Memeu apanhar de Besouro, armou uma cilada, mandando-o entregar um bilhete a um amigo que administrava a fazenda Maracangalha. Tal bilhete pedia para que seu portador fosse morto. Besouro, analfabeto, não pôde ler que aquele bilhete era endereçado ao seu assassino e que esclarecia que o portador era a vítima, ou seja, ele próprio. Assim, no dia seguinte, ao voltar para saber a resposta, 40 soldados o estavam esperando. Um homem conhecido por Eusébio de Quibaca acertou-lhe nas costa uma faca de tucum (ou ticum), um tipo de madeira, tida como a única arma capaz de matar um homem de Corpo Fechado.

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Besouro_Mangang%C3%A1
http://avebranca.esporteblog.com.br/13215/Lend-rio-Mestre-de-Capoeira-Besouro-Mangang/

Foto: Ator que interpreta Besouro, no filme que conta a sua história.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Série Mestres da Capoeira 2


Mestre Bimba: Manoel dos Reis Machado nasceu em Salvador, Bahia, a 23 de novembro de 1899, no bairro do Engenho Velho, freguesia de Brotas. Seu apelido ele ganhou logo que nasceu, segundo ele, em virtude de uma aposta feita entre sua mãe e a parteira. Sua mãe, dona Maria Martinha do Bonfim, dizia que daria luz a uma menina. A parteira afirmava que seria homem. Apostaram: perdeu dona Maria e o filho, Manoel, ganhou o apelido que lhe acompanharia pela vida inteira (Bimba é como se conhece na gíria da Bahia o órgão genital masculino). Era filho de Luís Cândido Machado, batuqueiro famoso do bairro (batuque - "a luta braba, com quedas, com a qual o sujeito jogava o outro no chão".


Começou a aprender capoeira com 12 anos de idade, na antiga Estrada das Boiadas, hoje bairro da Liberdade, em Salvador, com um africano chamado Bentinho, capitão da Cia. de Navegação Baiana.
Tornou-se um exímio praticante da capoeira em sua forma tradicional, destacando-se pela espetacular habilidade combativa. Na época em que começou a praticar, a Capoeira ainda era bastante perseguida, e Bimba contava:
"Naquele tempo, Capoeira era coisa para carroceiro, trapicheiro, estivador e malandros. Eu era estivador, mas fui um pouco de tudo. A Polícia perseguia um capoeirista como se persegue um cão danado. Imagine só que um dos castigos que davam a capoeiristas que fossem presos brigando era amarrar um punho num rabo de cavalo e o outro em cavalo paralelo; os dois cavalos eram soltos e postos a correr em disparada até o quartel. Comentavam até, por brincadeira, que era melhor brigar perto do quartel, pois houve muitos casos de morte. O indivíduo não agüentava ser arrastado em disparada pelo chão e morria antes de chegar ao seu destino: o quartel de polícia."


Depois, descontente com a descaracterização pela qual passava a capoeira, transformada em "prato do dia" para pseudo-capoeiristas, que a utilizavam apenas em exibições nas praças, para os turistas, Mestre Bimba introduziu modificações importantes nos códigos da capoeira, vindo por isso a ser chamado de “o Lutero da Capoeira”.

Foi o primeiro capoeirista a constituir academia de capoeira, em 1932, no Engenho Velho de Brotas, e o primeiro a conseguir registro oficial do governo para a sua academia, chamada Centro de Cultura Física e Luta Regional, “num período em que o Brasil caminhava para o pleno regime de força e que as leis penais consideravam os capoeiristas como delinqüentes perigosos” (teve o cuidado de retirar a palavra "Capoeira" da academia que fundou). O ensino de sua capoeira foi qualificado pela então Secretaria da Educação, Saúde e Assistência Pública como ensino de educação física. Suas inovações (entre as quais a introdução de uma metodologia de ensino) originaram uma “nova visão de mundo” no ambiente da capoeira. A partir de suas modificações a Capoeira começou a ganhar alunos da classe média branca. Mestre Bimba deu ares atléticos ao jogo e atraiu as mulheres, até então excluídas das rodas.



A graduação, aquela época era caracterizada por lenços.


Oficialmente a primeira academia de capoeira a ter seu alvará de funcionamento datado de 23 de Junho de 1937.


No mesmo ano, fez á primeira apresentação do seu trabalho para o interventor general Juraci Magalhães, onde havia presentes autoridades civis, militares entre outros convidados ilustres.


Em 1939, Mestre Bimba ensinou capoeira no Quartel do CPOR.
Em 1942 instalou sua segunda academia.


Em 1953, Mestre Bimba se apresentou para o presidente Getúlio Vargas, este declarou ser a Capoeira o único esporte verdadeiramente nacional.



















Mestre Bimba e alguns alunos de Capoeira, estudantes de Medicina, nos anos 20.



Como a capoeira não era bem vista aos olhos da sociedade, Mestre Bimba resolveu registrá-la como Centro de Cultura Física Regional, localizada na Rua Francisco Muniz Barreto. 01 – Pelourinho.


Em 1972, realizou a última formatura do centro de cultura física regional, nesta formatura o (Mestre Vermelho*) foi o orador.

Pelo porte grande e respeito que imprimia, ganhou o apelido de Rei Negro e era saudado pelo grito de guerra "Bimba é bamba!". Em 1949, o escritor Monteiro Lobato o conheceu e lhe dedicou o conto Vinte e dois de Marajó, que conta a história de um marinheiro capoeirista.


a.B e d.B (antes de Bimba e depois de Bimba). Assim podem ser entendidas as mudanças sofridas pela capoeira no início de século. Antes de Bimba, a luta era ilegal, passível de punição pelo Código Penal, discriminada pela burguesia como coisa de malandro, de escravo fujão. Os capoeiristas sequer sonhavam em sobreviver dessa manifestação popular.


Bimba rompeu com este ranço. Deixou as funções de carroçeiro, trapicheiro, carpinteiro, doqueiro, carvoeiro para abraçar a capoeira e o seu instrumento mais ilustre, o berimbau, hoje identificado como símbolo da Bahia nos 5 continentes. Porém, no Brasil, só em 1999 a capoeira e o berimbau tiveram seus termos, como abadá e aú, incluídos na edição do Dicionário Aurélio, livro referência da língua portuguesa.



Morreu em Goiânia, em 15 de fevereiro de 1974, sem presenciar a profissionalização da capoeira que ajudou a criar. "Meu pai morreu de banzo (tristeza), por não ver a capoeira respeitada", revela o filho Demerval Machado, o Mestre Formiga.


Mestre Bimba acreditava que a capoeira tinha que se renovar para não ser engolida pelas lutas gringas. A preocupação, apesar de à primeira vista soar bairrista, tinha razão de ser. Até hoje, são lutas como o boxe americano e o judô japonês que circulam na mídia, nas Olimpíadas, lotando estádios e enriquecendo seus atletas, empresários e patrocinadores.


Lutando incessantemente para que a capoeira fosse reconhecida como a legítima arte marcial brasileira, Mestre Bimba criou a Capoeira Regional, jogo que ganhou este batismo pela aversão do mestre a estrangeirismos, fazendo questão de chamá-la de "Luta Regional Baiana". A Capoeira Regional é um estilo menos ritualístico do que a capoeira tradicional, conhecida como angola.


Os golpes introduzidos por Mestre Bimba facilitavam a defesa pessoal quando do embate com praticantes de outras lutas, como as artes marciais importadas muito populares no Brasil nas décadas de 30 e 40. Nessa época, desafiou todas as lutas e consagrou-se como primeiro capoeirista a vencer uma competição no ringue, quando o público incentivava com o grito de guerra "Bimba é bamba!".

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Série Mestres da Capoeira

Bom dia, capoeiras!
Hoje estamos começando uma série de postagens de antigos mestres de Capoeira. Com base em documentos encontrados na internet vamos aqui fazer uma apresentação de antigos mestres de capoeira, difusores da arte pelo mundo afora. Gostaria muito de poder creditar aqui aos "mestres dos mestres", mas o anonimato só nos permite deixar aqui o nosso MUITO OBRIGADO a todos os anônimos mestres da Capoeira Primitiva e verdadeira, que hoje se desdobra em modalidades duvidosas mas que, ainda assim, são em sua essência "capoeira".
Bem começamos então com Mestre Pastinha, patrono da Capoeira Angola.



Mestre Pastinha: Vicente Joaquim Ferreira Pastinha nasceu em Salvador a 5 de abril de 1889, filho do espanhol José Señor Pastinha e de Dona Maria Eugênia Ferreira. Seu pai era um comerciante, dono de um pequeno armazém no centro histórico de Salvador e sua mãe, uma negra natural de Santo Amaro da Purificação, que vivia de vender acarajé e de lavar roupa para famílias mais abastadas da capital baiana.




No prefácio do livro publicado em 1964, intitulado “Capoeira Angola”, de autoria de Pastinha, José Benito Colmenero afirma que Pastinha teve como mestre de capoeira um negro angolano chamado Benedito, que, ao ver o menino pequeno e magrelo apanhar de um garoto mais velho, teria resolvido ensinar-lhe a Capoeira.


Durante três anos, Pastinha teria passado tardes inteiras num velho sobrado da Rua do Tijolo, em Salvador, treinando a movimentação da arte: meia-lua, rasteira, rabo-de-arraia, etc. Ali teria aprendido a jogar com a vida e a ser um vencedor. Mas a maioria dos capoeiristas que o conheceram afirma que seu mestre foi Aberrê.


Viveu uma infância feliz, porém modesta. Durante as manhãs freqüentava aulas no Liceu de Artes e Ofício, onde também aprendeu pintura. À tarde, empinava pipa e jogava Capoeira. Aos treze anos era o moleque mais respeitado e temido do bairro. Mais tarde, seu pai, que não gostava da vadiagem do moleque, matriculou-o na Escola de Aprendizes Marinheiros. Conheceu os segredos do mar e ensinou aos colegas as manhas da Capoeira.


Aos 21 anos, voltou para o centro histórico, deixando a Marinha para se dedicar à pintura e exercer o ofício de pintor profissional. Suas horas de folga eram dedicadas à prática da Capoeira, cujos treinos eram feitos às escondidas, pois no início do século esta luta era crime previsto no Código Penal da República.


Em fevereiro de 1941, fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola, no casarão n.º 19 do Largo do Pelourinho. Esta foi sua primeira academia-escola de Capoeira. Disciplina e organização eram regras básicas na escola de Mestre Pastinha, e seus alunos sempre usavam calças pretas e camisas amarelas, cores do Ypiranga Futebol Clube, time do coração de Mestre Pastinha.


Aos 84 anos, muito debilitado fisicamente e quase cego, deixou a antiga sede da Academia para morar num quartinho velho do Pelourinho, com sua segunda esposa, Dona Maria Romélia; a única renda financeira que tinha era a dos acarajés que sua esposa vendia. Morreu aos 92 anos, cego e paralítico, no abrigo D. Pedro II, em Salvador, numa sexta-feira, 13 de Novembro de 1981, vítima de uma parada cardíaca.


Pequeno e notável em sua arte, Mestre Pastinha nos deixou seus ensinamentos de vida em muitas mensagens fortes e inesquecíveis como esta:


"Ninguém pode mostrar tudo o que tem. As entregas e revelações tem que ser feitas aos poucos. Isso serve na Capoeira, na família e na vida. Há momentos que não podem ser divididos com ninguém e nestes momentos existem segredos que não podem ser contados a todas as pessoas."


Pastinha foi “o primeiro capoeirista popular a analisar a capoeira como filosofia e a se preocupar com os aspectos éticos e educacionais de sua prática” [1]. Pastinha foi uma das figuras mais queridas de toda a Salvador, por sua extrema devoção à capoeira. Mesmo depois de idoso, jogava capoeira como um jovem exímio, executando sua movimentação com perfeição e agilidade. De Mestre Pastinha, já disseram ser...


“o guardião da liberdade de criação,


da inocência dos componentes lúdicos,


da beleza da coreografia...


... o gênio que desvendou


em palavras simples e puras


os aspectos místicos da capoeira.


Será sempre simbolizado pela ‘Chamada’,


com que arrefecemos o calor da disputa


entre vontades que se contrapõem.


A Mão Amiga estendida para o Alto,


lembrando...


...Somos todos Irmãos à luz do MESTRE


A Paz entre os Capoeiristas de Boa Vontade."


MESTRE DECÂNIO, A Herança de Mestre Pastinha, Coleção São Salomão, Salvador, 1996.


Textos e fotos retirados do site: http://www.capoeiradobrasil.com.br/


Na próxima postagem: Mestre Bimba!
Até amanhã!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

CORREÇÃO GRADUAÇÕES DO GRUPO CATIVEIRO

Após mais algumas pesquisas faz-se necessário um pedido de desculpas aos seguidores do nosso blog. Acredito que agora faremos a descrição correta das cores das cordas do Grupo Cativeiro. Segundo o Contra-Mestre Calungué:


1° Cordel - Verde
2° Cordel - Marrom
3° Cordel - Amarela
4° Cordel - Verde/Amarela
5° Cordel - Roxo (Estagiário)
6° Cordel - Verde/Branco (Monitor)
7° Cordel - Azul (Instrutor)
8° Cordel - Vermelho/Branco (Professor)
9º Cordel - Azul/Branco (Contra-Mestre)
10° Cordel - Branco (Mestre)


Além dessas graduações, seguem os cordéis com adição da cor cinza para crianças.


Pessoal, vamos rever nossas graduações pois tem gente que tá sendo rebaixada em relação às cordas...


Abraço a Todos